Você está na universidade ou a universidade está em você?

Há Venna/egresso de Artes Visuais UFMA. Foto: Lúcio Silva/arquivo pessoal 2018

Tem gente que sonha anos pra passar na universidade e quando passa, depois do oba oba de calouro, meio que desliga. Vai pra aula, volta pra casa, reclama do professor, da estrutura, do sistema. E segue sem se envolver, sem se atravessar pelo que aquilo pode ser.

Essa pessoa passa pela universidade.

E não tem nada de errado em sentir cansaço, pressão, frustração. A universidade pública, principalmente, não é fávil. Mas existe uma diferença silenciosa e importante entre quem só cumpre o percurso e quem decide viver aquilo de verdade, se envolver de fato.

Porque viver a universidade não é sobre ser o aluno perfeito: é sobre não ser espectador. Viver a universidade é aceitar o caos produtivo (é isso mesmo).

Quem vive a universidade se mete.

Se mete em projeto que não sabe nem por onde começa; Se mete em pesquisa sem entender metade dos termos no início; Se mete em extensão e redescobre um Brasil que não estava nos livros.

Erra, fica perdido, se questiona, mas continua. Não fica esperando “estar pronto” e entende que é no processo que as coisas acontecem. Tem sempre uma expectativa ilusória de que a universidade vai formar alguém automaticamente e não vai. Ela entrega estrutura, caminhos, possibilidades, mas quem constrói a trajetória é você. E aí entra o ponto-chave.

Tem quem espere ser chamado e tem quem ocupa espaço, por exemplo: quem ocupa espaço entra em laboratório mesmo sem conhecer ninguém, manda e-mail, bate na porta, pergunta e insiste. Participa de edital, perde e tenta de novo. Isso não é sobre ser “melhor”, é sobre estar disponível para viver a experiência inteira. Viver a universidade muda como você enxerga o mundo

Em algum momento, deixa de ser só sobre seu curso, pois você começa a entender: por que pesquisa importa; como inovação nasce de problema real; como extensão conecta universidade e sociedade; como internacionalização não é luxo, é estratégia; como políticas públicas atravessam tudo isso.

E aí vira outra coisa: você para de perguntar o que eu preciso fazer pra me formar? E começa a perguntar: o que eu posso construir aqui dentro? No final, não é o diploma que diferencia.

Todo mundo que passa, em tese, sai com um diploma, mas nem todo mundo sai com repertório.
Nem todo mundo sai com vivência, com clareza do próprio papel no mundo. E isso pesa no mercado, na vida, nas escolhas.

Entrar na universidade é conquista, mas é só o começo! O que define mesmo é o nível de envolvimento que você decide ter depois disso, porque, no fim, a universidade não é só um lugar que você frequenta. É um espaço que pode te transformar completamente.

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