Não estamos nos dando conta do quanto nossos dados estão sendo sugados. Sério! Não é mais sobre o tipo de música que você ouve, mas sobre quantas vezes vocês procura ouvir esse tipo de música, quanto tempo, e em quais circunstâncias da vida. São dados sobre dados. E isso vale para tudo o que fazemos hoje: do transporte ao namoro; da cueca à viagem.
A datificação da vida realmente chegou! Tudo são dados e além disso: metadados, o modo como reagimos aos nossos interesses ou sobre o nosso comportamento associado a eles.
As maiores protagonistas dessa extração em massa de dados são as grandes big techs Alphabet (Google), Apple, Amazon, Microsoft e Meta, que oferecem até hoje acessos parcialmente gratuitos a serviços tecnológicos de ponta, deixando claro o preço alto disso apenas nas letras miúdas, nossos dados.
Hoje é quase impossível e de longe necessário barrar os avanços tecnológicos desta área, mas regulamentar é urgente e importante, sobretudo em tempos de inteligência artificial generativa, aquela que copia modos humanos de pensar e agir.
Imagine nossas emoções, interesses e escolhas cidadãs sendo mediadas por inteligência artificial a partir de metadados já coletados anteriormente? Quem ou o que mediaria essas questões a não ser humanos? E quais grupos de humanos mediariam? Seria muito louco! Rsrsrs
O fato é que a mediação tecnológica chegou até o exercício da nossa própria cidadania. O avanço é surreal e muito otimista, sobretudo quando temos grande parte dos serviços governamentais brasileiros sendo mediados pelas plataformas.
Há quem diga: "Até aí tudo bem!" E eu até disse várias vezes, mas nunca notamos, nesse nosso mundo de elite intelectual, pensante, o quanto as sociedades menos favorecidas de conhecimento e letramento digital sofrem com a datificação da vida.
A gente até sabe se virar, mas imagina um pescador sem habilidades básicas digitais tentando solicitar seu seguro defeso por meio do apicativo do Gov? Ficam como presas fáceis nas mãos de atravessadores que se aproveitam de parte desses recursos, como vemos atualmente.
Para além dos grandes pensadores do mundo tecnológico e contemporâneo da comunicação, não imaginávamos como a nossa própria cidadania seria tão atravessada pelos avanços da transformação digital. E a importante discussão que fica não é sobre não saber navegar em telas, mas sobre o grau de compreensão da nossa própria cidadania mediatizada.

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